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Caixa voltou a liberar o segundo financiamento: vale financiar outro imóvel?

03 de outubro de 2026 • 5 min de leitura

Quem já tem um financiamento ativo na Caixa e pensa em comprar um segundo imóvel, seja para investir, para um filho morar ou para ter um apartamento na praia, pode voltar a usar crédito do banco para isso. A Caixa retomou em 9 de dezembro de 2025 a possibilidade de contratar mais de um financiamento imobiliário ao mesmo tempo com recursos da poupança (SBPE), segundo a CNN Brasil. A regra estava suspensa desde novembro de 2024.

Poder contratar não quer dizer que valha a pena. Abaixo explico o que mudou, quem pode usar e como fazer a conta antes de assinar.

O que mudou na prática

Durante a suspensão, quem já tinha um contrato habitacional ativo na Caixa não conseguia um segundo financiamento no banco. Na retomada, o presidente da Caixa atribuiu a mudança à flexibilização do compulsório da poupança, que deu mais fôlego para o banco emprestar (CNN Brasil).

As condições divulgadas no anúncio foram:

  • Quem pode: quem já tem financiamento habitacional ativo na Caixa, inclusive o cônjuge, independentemente do regime de casamento (Prognum);
  • Linha: o novo contrato precisa ser pelo SBPE, com saldo corrigido pela TR;
  • Juros: a partir de 10,99% ao ano no anúncio. Em 2026, a taxa de balcão da Caixa no SBPE tem sido divulgada em 11,19% ao ano mais TR (Gazeta Mercantil);
  • Prazo: até 420 meses (35 anos);
  • Quanto financia: até 80% do imóvel no SAC ou 70% na tabela Price (CNN Brasil).

Os dois limites que mais pesam

O FGTS fica de fora. O FGTS só pode ser usado na compra de um único imóvel destinado à moradia própria. No segundo financiamento, ele não entra na entrada, na amortização nem na quitação (CRECI-MG). Por isso, a entrada de pelo menos 20% sai do seu bolso.

A renda precisa comportar as duas parcelas. A soma das parcelas de todos os financiamentos ativos não pode passar de cerca de 30% da renda familiar bruta (CRECI-MG). Se a parcela do primeiro imóvel já ocupa boa parte desse limite, a margem para o segundo fica pequena.

Um exemplo com números

Vamos supor um imóvel de R$ 500 mil, com 20% de entrada (R$ 100 mil) e R$ 400 mil financiados em 420 meses pelo SAC, a 11,19% ao ano. Pelo cálculo:

  • a primeira parcela fica em torno de R$ 4.500, sem contar seguros, taxas e TR;
  • só essa parcela já exigiria cerca de R$ 15 mil de renda bruta pelo limite de 30%, e a parcela do primeiro financiamento entra na mesma conta;
  • no SAC, a parcela começa mais alta e diminui com o tempo.

É uma simulação simplificada. O valor real depende da proposta do banco, do seu perfil e dos seguros obrigatórios.

Para investir, a conta do aluguel precisa fechar

Se o segundo imóvel é para alugar, compare a parcela com o aluguel que ele pode render. Pelo Índice FipeZAP de locação de julho de 2026, a rentabilidade média do aluguel residencial no país foi de 6,14% ao ano. Em Vitória ficou em 4,16% ao ano, a mais baixa entre as cidades com esse dado divulgado. O índice não traz a rentabilidade de Vila Velha.

Usando a média de Vitória só como referência, um imóvel de R$ 500 mil renderia algo perto de R$ 1.730 por mês de aluguel bruto, bem abaixo da primeira parcela do exemplo. Na Grande Vitória, quem financia quase todo o imóvel para alugar normalmente vai completar a parcela do próprio bolso durante anos.

Para comparar, a Selic está em 13,75% ao ano desde 16 de setembro (InfoMoney). Para quem já tem o dinheiro, isso deixa as aplicações de renda fixa como uma alternativa forte ao imóvel para aluguel.

Quando pode fazer sentido

O aluguel sozinho não explica tudo. Em Vila Velha, o metro quadrado chegou a R$ 11.533 em setembro, com alta de 14,76% em 12 meses, a maior entre as cidades acompanhadas pelo FipeZAP (Forbes Brasil). Valorização passada não garante valorização futura, mas mostra por que tanta gente olha a região como reserva de patrimônio.

O segundo financiamento tende a fazer mais sentido quando:

  • a entrada é maior que 20%, o que reduz bastante a parcela;
  • a sua renda comporta as duas parcelas com folga, sem depender do aluguel;
  • o objetivo é de longo prazo, como moradia futura de um filho ou patrimônio para a aposentadoria;
  • você pretende amortizar o saldo com recursos extras ao longo do contrato.

Se a ideia é renda mensal imediata, vale simular com calma antes de assumir uma dívida de 35 anos.

Fale com o Carlos

Está pensando em comprar um segundo imóvel em Vila Velha, para investir ou para a família? O Carlos pode ajudar a escolher o imóvel certo e a fazer a conta de parcela, entrada e aluguel antes de você decidir. Chame o Carlos no WhatsApp ou ligue (27) 98889-1605.